* Imagem gerada pelo Grok para ilustrar minha crônica.
O incorrigível romântico Dr. Alberto, Sim, romântico daqueles que não veem o mundo como ele é, mas como deveria ser, em um desses seus dias mais inspirados, abriu o jornal online e ferveu de indignação: "Ora, diante da notícia libertadora de que os trabalhadores poderiam descansar um dia a mais, como alguém insiste em se preocupar com os impactos econômicos?"
Para ele, a solução para o impasse era maniqueísta: ou se está ao lado dos trabalhadores, ou se é um escravocrata disfarçado!
Mas, se Alberto pensava assim, seu irmão Nicolas era o oposto. Pra ele, todo mundo que não enxergava os entraves econômicos seria um completo estúpido. Ele sabia, claro, que tem muito a ser melhorado na vida dos trabalhadores, mas não era como seu irmão, que agia como uma criança tentando jogar jogo de caixa-encaixa.
Foi nesse mesmo dia, enquanto Alberto lia o jornal, que comentou com seu irmão:
— Escuta essa, Nicolas: finalmente tão discutindo dar mais um dia de folga na semana pro trabalhador! Já era hora de pararem de moer gente pra dar lucro pra patrão.
— Alberto, não é simples assim. Se você reduz a jornada sem corte de salário, o custo de produção dispara. Onde você acha que esse valor vai parar? No preço do mercado, no combustível, na inflação...
— Ah, claro! Tinha que vir a contabilidade sem alma! Engraçado que pra aumentar dividendo de acionista nunca falta dinheiro, né? É sempre a mesma conversa pra manter o trabalhador servil.
— Você fala como se a economia fosse um botão de 'liga e desliga', Alberto. Não percebe que se a conta não fecha, as empresas quebram e o próprio trabalhador vai pro olho da rua? É um raciocínio tão estúpido e simplista que chega a dar pena.
— Estúpido? Estúpido é colocar números acima de vidas humanas! No fundo, você só tá defendendo a manutenção da escravidão moderna do alto da sua bolha!
Não teve jeito. A discussão continuou até o ponto de cortarem relações.
Anoiteceu e ambos foram encerrar o dia. Nicolas, tenso e estressado, temia o colapso do país. Já Alberto, momentos antes de dormir, sorriu aliviado e pensou: "O mundo está finalmente se tornando
um lugar melhor..."